• Laura Gatica

Quebrando 5 mitos sobre trabalho remoto


O trabalho remoto não é recente, como muitos devem pensar ao associá-lo aos impactos gerados pela pandemia do COVID-19. As estatísticas dos EUA mostram que cerca de 500 mil funcionários trabalhavam em home office período integral na década de 80 (0,7% da força de trabalho). Em 2017, essa força de trabalho aumentou para 3,4 milhões, o que corresponde à 3% da força de trabalho. Com a chegada do COVID-19 tivemos um salto nessa estatística, onde cerca de 42% da força de trabalho americana está trabalhando em tempo integral de casa e apenas 26% estão trabalhando nos escritórios e sedes da empresa.

A localização é apenas um dos fatores que influenciam os nossos relacionamentos. Com toda a tecnologia desenvolvida, manter uma relação próxima com clientes e entre membros de uma equipe que estão distantes fisicamente não deveria ser encarado como algo problemático ou até mesmo impossível. Percebemos que com a quarentena muitas das mudanças de hábitos vieram “forçadas”, afinal, na situação normal a maioria das empresas não optam pelo home office. Entretanto, a relação das pessoas com o trabalho está mudando. Modelos engessados perdem espaço para uma cultura de autonomia, conexão e propósito. Esses modelos engessados, em que muitas pessoas ainda trabalham atualmente, foi criado para um mundo estável, lento e previsível. Estamos em outro momento, mais dinâmico, volátil e complexo, o que exige uma relação mais autônoma, flexível e de confiança.

O meu objetivo neste artigo é quebrar as principais objeções e receios em adotar o trabalho remoto, mostrando algumas dicas de como aproveitar esse modelo de trabalho da melhor forma.

#1 As reuniões remotas são ineficazes

Pense bem: o motivo da ineficácia das reuniões é o fato de serem feitas remotamente ou você que não sabe lidar de forma adequada com reuniões? Encontros agendados, com objetivos bem definidos e transmitidos claramente para a equipe são muito mais produtivos, independente do meio (físico ou virtual) em que ocorrem. Cuidado para não lotar o dia da equipe com reuniões desnecessárias que geram uma dependência entre os membros, tornando o trabalho extremamente improdutivo. Algumas dicas para lidar com reuniões é definir claramente o objetivo da reunião, quem precisa participar, o que os participantes precisam saber, onde se quer chegar ao final da reunião e quem vai conduzi-la. Falando mais especificamente de reuniões remotas é recomendável adotar alguns hábitos como: estar com a câmera ligada, usar fones de ouvido, colocar o microfone no mudo quando não estiver falando, iniciar o encontro com uma conversa mais informal para entrar no clima e focar nos próximos passos. O pós reunião também influencia muito na sua eficácia. Após a reunião transforme as decisões tomadas em passos acionáveis, liste os próximos passos e atividades, priorize as tarefas, delegue ações com prazos e responsáveis definidos.

#2 A comunicação é falha

A comunicação é falha muitas vezes desde o contexto presencial. Mas quando tratamos do meio virtual, é importante que esteja bem definido os canais de comunicação que o time utilizará e como cada canal deve ser utilizado. Sem muitas complicações! A distância física não impede de transmitir informações, tomar decisões em conjunto ou criar um bom alinhamento entre o time. Esteja consciente do que cada um precisa saber, seja organizado e transmita a mensagem pelo canal de comunicação mais adequado. Cuidado ao criar uma reunião que poderia ser resumida em um e-mail! Leve em conta a necessidade de sincronia do contato. Se precisa de uma resposta instantânea mande uma mensagem ou faça uma ligação. Precisa deixar um documento registrado e compartilhá-lo com outro colega, o Google Drive é uma boa opção. A comunicação está totalmente relacionada com o canal. Lembre-se disso!

#3 É improdutivo

Já quebro essa afirmação com um dado: um estudo publicado pela Harvard Business Review mostrou que a produtividade do trabalhador remoto aumentou em 13,5% nas empresas verificadas. Indo mais a fundo, temos que entender que produtividade não é trabalhar horas e horas. Work hard é diferente de work smart. A produtividade depende de vários fatores, mas o ambiente físico ou virtual não é o principal ponto. Quem sabe se comunicar, priorizar, delegar e focar não tem o que temer no trabalho remoto. Temos que parar de depender da vigilância e do poder coercitivo dos nossos superiores para entregar o que esperam. Essa tendência de achar que as pessoas são incapazes ou imaturas para trabalhar sem a supervisão do chefe é uma visão herdada dos modelos de trabalho tradicionais e ultrapassados. Trabalhar remotamente não abre espaço para ser improdutivo porque ninguém vai ver. Aqui entra a liberdade com responsabilidade, o sentimento de dono e a autonomia para trabalhar de forma inteligente, ditando a sua própria rotina de trabalho e controlando o tempo. O que importa é o resultado final.

#4 É solitário

A solidão pode até ser um sentimento em comum quando falamos de trabalhar em casa. Mas isso depende mais de você. Nada te impede de trabalhar na companhia de um amigo, fugir um pouco do ambiente rotineiro e trabalhar em locais informais como cafés, bibliotecas, espaços de coworking e por aí vai. As opções são diversas e com autonomia garantida você pode escolher o melhor ambiente. Encontrar pessoas passa a ser uma opção e não uma dependência.

#5 Perdemos a conexão pessoal

Se você pensa que aquele encontro no corredor e a pausa para o cafezinho é o que determina a conexão pessoal no trabalho você está equivocado. No ambiente virtual a conexão pessoal também pode acontecer e não apenas superficialmente como muitos imaginam. Vou te provar isso apresentando o nosso próprio case de sucesso. Na Jr. Eng trabalhamos remotamente desde o mês de Março. Mais da metade dos membros nunca se encontraram pessoalmente. Entretanto, isso não foi motivo para influenciar a conexão, motivação e desempenho dos membros. O que determinou a união do nosso time foram as adaptações e ritos de gestão que adotamos. É necessário criar momentos para falar de assuntos pessoais, conhecer o outro além das telas, praticar a escuta ativa e dar e receber feedbacks. Na Jr. Eng procuramos transmitir sempre a nossa cultura e o nosso propósito em cada ação que tomamos. Temos muito cuidado com a saúde mental dos membros, respeitamos suas diferenças e seus momentos e, acima de tudo, estimulamos um clima de amizade e colaboração. O nosso clima organizacional, a satisfação e conexão dos membros estão extremamente positivos em comparação ao ano anterior.

Depois de refletir sobre esses pontos, pense como você está lidando com o trabalho remoto. Algumas crenças são capazes de bloquear o desenvolvimento dessa cultura. Não são necessárias ferramentas robustas, processos complexos e grandes mudanças. Com colaboração, confiança e propósito o seu time vai longe.

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